VERDA LUMO

CASSIANO RICARDO

Cassiano Ricardo (1895-1979)

Nascido em São José dos Campos, em 1895, formou-se em Direito no Rio de Janeiro. Os seus primeiros versos, ainda ligados à tradição parnasiana, foram elogiados por Olavo Bilac. Mas Cassiano Ricardo, não se estabelecendo definitivamente nas escolas tradicionalistas, transitou por diversas fases literárias.

A obra poética de Cassiano Ricardo atravessou desde as influências parnasianas até a mais evidente intenção modernista. Sua primeira fase consistiu em feições neo-parnasianas, como as presentes na obra A Frauta de Pã, e também em características neo-simbolistas, como mostra o livro Dentro da Noite. Já na fase seguinte, o escritor passou a acompanhar as idéias modernistas, ainda não se desvencilhando de certos conceitos tradicionalistas. Esta é a fase da corrente nacionalista, da qual o escritor participou através dos grupos Verde-amarelismo (1926) e Bandeira (1928) e foi um dos líderes do Movimento de reforma literária iniciada na Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, ao lado de Plinio Salgado, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Candido Mota Filho e outros. Já a partir da década de 40, as tendências modernistas tomaram conta da sua obra. Isto se verifica nas livros O Sangue das Horas, Um Dia Depois do Outro e A Face Perdida. Nesta fase, o escritor parte para experiências formais modernas, a partir dos livros João Torto e a Fábula e Arranha-céu de Vidro. A partir daí, torna-se patente a preocupação do autor em inserir sua obra nas experiências vanguardistas.

Cassiano Ricardo foi membro do Conselho Federal de Cultura, da Academia Paulista de Letras e da Academia Brasileira de Letras, eleito em 1937.

Seus poemas foram traduzidos para o italiano, espanhol, francês, inglês, húngaro, holandês e servocroata.

Faleceu em 1979, deixando uma obra de caráter diversificado, que transitou por entre visões diversas e até contraditórias, revelando a grande versatilidade do escritor.

Obras: Dentro da Noite, 1915; A Frauta de Pã, 1917; Vamos Caçar Papagaios, 1926; Martim-Cererê, 1928; Deixa Estar, Jacaré, 1931; O Sangue das Horas, 1943; Um Dia Depois do Outro, 1947; A Face Perdida, 1950; Poemas Murais, 1950; Sonetos, 1952; João Torto e a Fábula, 1956; Poesias Completas, 1957; Montanha Russa, 1960; A Difícil Manhã, 1960; Jeremias Sem Chorar, 1964. Prosa: O Brasil no Original, 1936; O Negro na Bandeira, 1938; A Academia e a Poesia Moderna, 1939; Pedro Luís Visto pelos Modernos, 1939; Marcha para o Oeste, 1943; A Academia e a Língua Brasileira, 1943; A Poesia na Técnica do Romance, 1953; O Homem Cordial, 1959; 22 e a Poesia de Hoje, 1962; Reflexos sobre a Poética de Vanguarda, 1966.

Bibliografia

São José dos Campos e sua História – Agê Junior, 1979.
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