| VERDA LUMO |
| A LÍNGUA DA ERA DA COMUNICAÇÃO |
A LÍNGUA DA ERA DA COMUNICAÇÃO Uns dizem que são três mil. Outros falam em sete mil. Mas há quem afirme que, no mundo inteiro, existem cerca de dez mil idiomas. O número exato é tema
contraditório, mas seguramente podemos afirmar que são
milhares as línguas existentes em nosso planeta. Isso,
sem contar os dialetos! E desses milhares de idiomas,
vale frisar que, pelo menos, duzentos deles são falados
por mais de um milhão de pessoas. Desde o século passado e, principalmente, no decorrer deste século, o progresso técnico e científico possibilitou um extraordinário desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte. Apesar desse desenvolvimento ter permitido o encurtamento das distâncias e uma maior aproximação entre os homens, os problemas causados pela diversidade de línguas ainda permanecem sem solução. Uma questão de política (e econômica!) Se voltarmos a nossa
atenção para a história da humanidade, perceberemos
que a supremacia de uma língua sempre esteve ligada à
supremacia política e econômica de um povo sobre os
demais. O latim, mesmo com a queda do Império Romano, continuou a exercer o papel de língua internacional de cultura, durante toda a Idade Média e parte da Idade Moderna. Com o aparecimento e a consolidação dos estados modernos, fortaleceram-se os idiomas nacionais. E o mundo, no decorrer dos últimos séculos, presenciou o nascimento e o desenvolvimento dos grandes idiomas contemporâneos: o francês, o inglês, o alemão, o russo, o italiano, o espanhol, o português etc. Apesar disso, a situação atual pouco difere daquela dos tempos antigo. Os estados, política e economicamente mais poderosos, continuam a impor aos demais povos os seus respectivos idiomas. Agora, não mais pela força das armas, mas de uma maneira mais sutil. Utilizando seus enormes recursos econômicos, chegam facilmente aos meios de comunicação de massa e, através deles, com a eficiente ajuda da publicidade, "vendem" a idéia da "superioridade" de seus idiomas. E, assim, hoje, a dominação cultural das línguas das grandes potências se faz por meio da música, do cinema, da literatura etc., em detrimento das culturas e idiomas dos demais povos. Um exemplo bastante ilustrativo dessa situação é o caso do português. Apesar de ser utilizado por quase duzentos milhões de pessoas e estar incluído entre as línguas mais faladas no mundo, é pouco usado e conhecido fora das fronteiras dos países de língua portuguesa. A Questão nos Organismos Internacionais Outro sinal bastante revelador das injunções políticas e econômicas que estão ligadas ao problema lingüístico é o que se passa nas organizações internacionais. A ONU e seus organismos especializados (UNESCO, FAO, OMS, OIT e outros) possuem um sistema de línguas oficiais e de trabalhos. E quais são essas línguas? São, justamente, os idiomas nacionais das atuais grandes potências (inglês, russo, francês, chinês etc.) . Será que esses idiomas são utilizados nessas organizações porque são culturalmente superiores aos demais? Em absoluto! O que há, realmente, é uma superioridade política e econômica dos países que falam esses idiomas. O exemplo mais recente para ilustrar a importância do fator econômico na escolha de um idioma oficial aconteceu na década de 70 com a língua árabe. Os países do oriente médio, enriquecidos subitamente pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional, resolveram pressionar a ONU no sentido de incluir o árabe como uma de suas línguas oficiais. E foi assim que a ONU passou a ter mais um idioma oficial. Neste ínterim, o máximo que a nossa querida língua portuguesa conseguia era torna-se um dos idiomas oficiais da FIFA (Federação Internacional de Futebol)! A solução de um Problema Apresentado, então, o problema, seria o caso de indagar: existe alguma solução? Tradicionalmente, são apontadas três alternativas: 1 - O renascimento de um idioma morto e sua promoção à língua internacional. Alguns ponderam que, se o latim, por exemplo, serviu como língua internacional em determinado período da história da humanidade, poderia também prestar-se a esse papel nos tempos atuais. No entanto, as principais críticas a essa solução centralizam-se no fato desses idiomas estarem, em princípio, complemente desatualizados, além de serem línguas de difícil aprendizado, com gramáticas complexas e cheias de irregularidades. 2 - A promoção de um idioma internacional. Alegam outros que, se alguns idiomas modernos já se prestam como veículos de comunicação entre os povos, a promoção de um deles para o papel de língua internacional seria a solução mais lógica para resolver este problema. Ocorre, entretanto, que, em geral, os idiomas nacionais são línguas de difícil aprendizado, exigido anos de estudo, pois possuem pronúncias irregulares e gramáticas complexas. Isso sem falar nas terríveis "expressões idiomáticas". Outrossim, essa solução também seria extremamente injusta e antidemocrática, pois privilegiaria um idioma nacional, favorecendo os povos que o tem como língua nativa, em detrimento dos demais. Os efeitos desse tipo de privilégio podem ser sentidos ao observarmos o que ocorre durante os atuais congressos e encontros internacionais, que "elegem" alguns poucos idiomas como línguas oficiais. Em geral, quem "brilha", no transcurso desses eventos, não são os maiores especialistas dos assuntos que estão sendo discutidos, mas sim aqueles que conseguem falar com fluência um dos idiomas oficiais, que, por estranha coincidência, quase sempre é o próprio idioma nativo desses congressistas. 3 - A escolha de uma língua planejada para ser a língua internacional. Desde o século XVII, é a solução defendida por filósofos, educadores, cientistas e intelectuais, que a consideram como a mais racional e democrática. Um dos argumentos em defesa desta solução é que esses idiomas são elaborados de forma a evitar dificuldades e irregularidades. Em geral, são línguas que possuem alfabeto fonético, gramática simples e regular, vocabulário internacional e um sistema racional de formação de novas palavras, pelo simples acréscimo de prefixos ou sufixos, o que diminui sensivelmente o tempo de aprendizado do idioma. É o caso, por exemplo, do esperanto! Além disso, a língua planejada possui uma outra característica: a neutralidade, ou seja, não está ligada a qualquer país ou cultura nacional. Portanto, além de ser uma solução mais racional para o problema da diversidade de línguas, é também mais justa e democrática por não privilegiar qualquer povo ou país. Até o presente momento, já foram elaborados mais de mil projetos de línguas planejadas. O esperanto, porém, foi um dos poucos que conseguiu sobreviver a seu autor, tendo já completado um século de existência! Falado por milhões de pessoas no mundo inteiro, possui uma vasta literatura, original e traduzida, constituída por milhares de títulos, bem como uma centena de periódicos, que são editados regularmente, abordando os mais variados assuntos. Além de ser utilizado oralmente em contatos pessoais e como idioma oficial de congressos e encontros internacionais, é também usado em transmissões diárias de rádio. Por isso, podemos dizer que o esperanto é uma realidade viva do nosso tempo! RECOMENDAÇÕES PARA LEITURA O QUE É ESPERANTO, de Izabel Cristina Santiago, Coleção Primeiros Passos, Editora Brasiliense. BABEL & ANTI-BABEL, de Paulo Rónai, Coleção Debates, Perspectiva. ESSÊNCIA E FUTURO DA IDÉIA DE UMA LÍNGUA INTERNACIONAL, de L.L. Zamenhof. ESPERANTO SEM PRECONCEITOS, de Walter Francini, Associação Paulista de Esperanto. ZAMENHOF, O INICIADOR DO ESPERANTO, de A. Luna, Liga Brasileira de Esperanto. VIDA DE ZAMENHOF, de Edmond Privat, Cooperativa Cultural dos Esperantistas. |